“Um Belo Verão” está entre os filmes sáficos dirigidos por mulheres

Não é novidade para ninguém dizer que ainda não são muitos os filmes com protagonismo sáfico que são dirigidos por mulheres. O número fica ainda mais reduzido quando falamos de diretoras mulheres também LGBTQIA+.

“Um Belo Verão” (2015) é felizmente um dos filmes desta última categoria, ao ser dirigido pela francesa Catherine Corsini. Competente, foi nomeada à Palma de Ouro em Cannes com o seu filme “Replay” (2001) e tem longa carreira no cinema de seu país.

Também teve certo sucesso com festivais com “Um Belo Verão” que foi premiado no Festival Internacional de Locarno e teve nomeações às suas atrizes no César (conhecido como o “Oscar” francês).

O filme (como muitas obras com protagonismo de mulheres LGBTQIA+) é de época, mas escolhendo ao menos uma data mais recente – seu pano de fundo é a inflamada Paris de 1971. A protagonista, Delphine (Izïa Higelin, que divide a carreira de atriz com a de cantora) é uma jovem do campo que mora com os pais em uma fazenda simples, realizando a maioria dos trabalhos braçais. Cansada da vida que leva e de uma decepção amorosa recente, decide tentar a vida na cidade grande.

É lá que encontra um grupo feminista estudantil, chefiadas pela professora Carole (interpretada pela experiente Cécile de France). Logo Delphine se envolve nas atividades cotidianas do grupo, de discussões acaloradas a ações pró-aborto. Aqui temos um momento interessante de observar as diferenças de entendimento entre as membras, inclusive abrindo espaço para um pequeno debate sobre o protagonismo que não era concedido ao movimento LGBTQIA+ mesmo entre elas.

É no meio deste cenário que Carole e Delphine se apaixonam, mas interrompem o romance em Paris após um problema de saúde do pai de Delphine – que precisa voltar ao campo. E é neste ambiente que os atos seguintes do filme se desenrolam, passando boa parte de seus 105 minutos de duração.

Assim, o filme não é recomendado caso o seu interesse maior seja o feminismo parisiense dos anos 70. Ele abre boas discussões em vários sentidos, mas elas competem com o romance do casal protagonista, a vida rural e a relação familiar de Delphine, principalmente com sua mãe.

O relacionamento das personagens principais é digno de nota, até por trazer a sexualidade entre mulheres à tona sem fetichização óbvia – além de um interessante contraste entre cidade/campo. Igualmente não traz um final feliz clichê, mas pode ser visto como feliz de sua própria forma (spoilers: elas não morrem ao final)!

Apesar da ponte entre o início feminista parisiense e a vida no campo não ser tão bem construída, é um filme dirigido e escrito de forma competente, com boa química entre as atrizes principais e com uma visão sincera sobre um intenso primeiro amor.

TOPO

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