Chamada para Blogagem Coletiva pela semana da Visibilidade Trans*

Dia 29 de janeiro é o Dia da Visibilidade Trans, a data existe com o objetivo de ressaltar a importância da diversidade e respeito para a população Trans, representado por travestis, transexuais e transgêneros.

Uma população invisibilizada em todas as suas demandas básicas. Invisíveis no acesso a saúde , no acesso a educação e emprego, invisíveis na luta pela sobrevivência e no direito a segurança.

Por esta razão os blogs Transfeminismo, Blogueiras Feministas, Blogueiras Negras e True Love convidam a todos os interessados na luta contra a transfobia a participar da semana de  blogagem coletiva pelo dia da visibilidade trans* .

Devemos trabalhar juntxs para incluir e tornar visível xs membrxs da comunidade transgenero, e ao fazê-lo, é preciso conscientizar as pessoas sobre as taxas incríveis de violência que as pessoas transexuais enfrentam simplesmente para serem fieis a si mesmxs e sua identidade.

Participe, caso não possua blog mas queira encaminhar seu texto encaminhe para ola@truelove.com.br e nós publicamos em nosso espaço, caso publique diretamente em seu blog nos encaminhe o link da publicação.

Para entender mais sobre o assunto acompanhe a entrevista de Janet Mock escritora, ex-editora da People Magazine e ativista proeminente pela igualdade para a população trans*. Mock é a fundadora da #GirlsLikeUs, destinada ao empoderamento da comunidade que encoraja a visibilidade e a participação política para todas as mulheres transgêneras, em especial aquelas que são negras.

ENTREVISTA JANET MOCK – Tradução de Charô Nunes 

Segundo a recente decisão da Suprema Corte declarando inconstitucional  o Ato de Defesa do Casamento e o apoio do presidente Barack Obama ao casamento igualitário , bem como sua repulsa à política do “não pergunte, não conte”, gays americanos tem vivido sua própria era dos direitos civis. Mas a batalha ainda não chegou ao fim e há carinhas escondidas no meio da multidão que celebra: trans* norte- americanxs, em especial aqueles de cor.

Discriminação na hora de se empregar e morar permanecem uma luta diária para pessoas transgêneras – que frequentemente não tem meios legais necessários à sua prórpia defesa. Um em cada cinco trans*norte-americanos já viveu em situação de rua em função de discriminação e rejeição familiares. O que torna tudo ainda pior é o fato de as instituições que deveriam ajudar também discriminam: 29% dos transgêneros em situação de rua foram recusados por abrigos em função de sua identidade de gênero.

A força tarefa nacional gau e lésbica revela que 78% dos transgênerxs americanxs são discrmiminados no ambiente de trabalho, e um congresso dominado pelos republicanos recusou a aprovação de um Ato de Não Disccriminação Trabalhista que fosse compreensível, deixando transgênerxs vulneráveis ao preconceito nas esferas local, estadual e federal.

Coisas básicas que a maioria dos americanxs, gay ou hetero, tem como uma certeza frequentemente são barreiras para as pessoas trans*. Renovar a carteira de motorista, dar entrada num passaporte, ter crédito aprovado ou se apresentar na justica eleitoral se tornam complicadas em função da mudança de nome e das adequações corporais, especialmente quando burocratas podem exercer o preconceito sobre a individualidade de cada um.

A comunidade gay reflete as mazelas socioeconômicas da sociedade, então raça e classe estão imbuídas em tudo. De acordo com um recente relatório da Coalizão Nacional de Justica Negra, a discriminação racial exarceba o tratamento dados às pessoas trans*.

Transgênerxs negrxs tem uma taxa de desemprego de 26% – duas vezes mais que a média. E 34% de transgênerxs afro-ameticanxs reportaram que vivem abaixo da linha da pobreza, que significa menos de 10 mil dólares por ano (23 mil reais no cãmbio de hoje). Quase duas vezes mais que que a média de trans* de outras raças ou identidades raciais (15%) e quatro vezes mais em relação à população afro-americanx cisgênerx (9%). Mais de 20% dxs transgênerxs responderam que são portadoxs do vírus HIV contra 2.64% de transgenerxs em geral. 49% já tentaram suicídio.

Uma incoveninente verdade é que existe o preconceito inclusive dentro da comunidade gay em relação às pessoas trangêneras, fazendo que o grupo seja uma minoria dentro de uma minoria – frequentemente sileinciada e marginalizada.

Para saber mais detalhes, falamos com Janet Mock, escritora, ex-editora da People Magazine e ativista proeminente pela igualdade para a população trans*. Mock é a fundadora da #GirlsLikeUs, destinada ao empoderamento da comunidade que encoraja a visibilidade e a participação política para todas as mulheres transgêneras, em especial aquelas que são negras.

Quais sãos os desafios que devem ser superados pela comunidade trans* na luta pelo casamento igualitário? Eles são diferentes ou mais complicados que aqueles enfrentados pelos casais gays e lésbicos?
Janet Mock: Enquanto casamento e família forem baseados em questões gênero e sexo, isso afetará as pessoas trans* e suas famílias. O reconhecimento legal de todas as famílias, não importanto o gênero e identidade de gênero, também é intensificado pela diferença entre as leis que vigoram nos estados , ou que proibem ou permitem às pessoas trans* mudar seus marcadores de gênero em documentos e afins – o que por sua vez tem grande efeito sobre o reconhecimento de relações, acasamentos e acesso à benefícios. A igualdade no casamento tem amplamente sido sobre dar aos casais proteção legal, então nós devemos estender as mesmas proteções para todos os indivíduos LGBT, especificamente para as comunidades trans*, aqueles que recebem pouco e às pessoas negras, independente do status marital.

Existem iniciativas específicamente voltadas para a comundiade trans* que você gostaria de ver serem tomadas pelo Presidente Obama?
Assinar o Ato de Não Discriminação Trabalhista seria um ótimo começo, tornando uma violação legal federal a discriminação de empregadores comtra a identidade de gênero, suas expressões e a orientação sexual. Mas nós precisamos de mais leis, e isso está além do poder presidencial.

Você sente que o T do LGBT é adequadamente acolhido, celebrado e visível?
Nós precisamos de mais alianças lutando por justiça social – alianças que includam vozes trans* – e o reconhecimento que pessoas negras trans*, pobres e jovens são vítimas do olhar focado no movimento LGBT apenas no casamento igualitário. O que está acontecendo agora, infelizmente, é que as pessoas trans*, especificamente os de cor, estão caindo por entre as lacunas dessas coalizões e se ainda mais vulneráveis.

O que deve ser feito para promover uma maior sensibilização para as questões que afetam os jovens trans* e pessoas de cor em particular?

Em primeiro lugar, precisamos expandir nossa idéia [do] que é a inclusão e como devemos lidar com as limitações diárias dos mais marginalizados.

Como uma mulher trans* negra pode conseguir um emprego se não é seguro para ela sair de sua casa – isso se ela tiver a sorte de ter uma casa? Se ela não pode mudar seus marcadores de gênero em sua identidade porque ela não tem acesso aos fundos que lhe permitem apresentar a papelada, ou seu estado não permite que ela mude seus documentos? Se ela não tem acesso a cuidados de saúde a preços acessíveis, que permitiriam a ela, uma transição segura e assistida? O que acontece se ela é parada, interrogada e revistada porque ela está trabalhando como uma profissional do sexo?

Há opressões sistêmicas com as quais nossas irmãs e irmãos são confrontados, coalizões amplas que lutam por justiça racial, de gênero, social e econômica devem começar juntos a observar por uma lente interseccional, que realmente olha além das leis e começa abordando as experiências vividas das pessoas mais marginalizadas.

Entrevista originalmente publicada por Edward Wyckoff Williams para o The Root.

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